“Não podemos ter medo de outras culturas” – Ungulani Ba Ka Khosa

Published in Cultura
domingo, 08 abril 2018 15:18
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“Escrita, interculturalidade e cidadania” foi o tema escolhido por Ungulani Ba Ka Khossa para a palestra realizada última sexta-feira, na Universidade Lúrio, UniLúrio, Campus de Marrere, em Nampula.

 

Numa altura em que o debate sobre identidade e valores culturais preocupa sobremaneira a sociedade, tendo em conta os seus impactos na formação do indivíduo, o renomado escritor – autor de obras como: “Ualalapi”, “Orgia dos loucos”, “Choriro”, entre outras – desafia a sociedade a dar um salto maior, partindo do princípio de que a cidadania é um direito inalienável.

O autor do “Ualalapi”, mostrando o seu orgulho e satisfação de ser de “sangue moçambicano”, apelou a urgência da valorização das línguas locais, através da criação de bases para que elas sejam escritas, tendo em conta que “escrevemos na língua portuguesa”.

Falando da escrita, Ungulani faz uma pausa para explicar o foco da sua reflexão ser o Império de Gaza. Segundo o escritor, escrever sobre Ngungunhana justifica-se pelo facto de ele ser um grande exemplo de ditadura acabada, pois, o povo não quer ditaduras. O autor do “Rei Mocho” explica que a escrita não se deve dissociar da expressão oral, pois a oralidade tem um grande contributo para a escrita, tratando-se de fonte de narrativas únicas e peculiares.

Ungulani diz que Moçambique é um povo de tradição oral, e critica o facto de o país depender, apenas, da escrita em língua portuguesa, enquanto as histórias moçambicanas são contadas em línguas locais. Entretanto, o escritor acredita que a língua portuguesa só poderá crescer quando as línguas locais moçambicanas conseguirem interpretar os seus diversos significados.

Alguns pontos destacaram a palestra: primeiro, o facto de Ungulani Ba Ka Khosa considerar a cidadania como o direito de todos dizer não a algo indesejado; e, segundo, o facto de muitos porem em causa a própria identidade, deixando-se “oprimir” pelo medo de perder regalias.

Segundo Ungulani, a interculturalidade significa convívio entre culturas diferentes. E, defendendo a importância de cada cultura valorizar-se e mostrar-se ao mundo, afirma que “ser moçambicano é ter uma noção do país”.

Na voz de um linguista, o Vice-Reitor Administrativo da UniLúrio, Marcelino Liphola, explicou que as pessoas pensam que estão a escrever em línguas locais moçambicanas, mas enganam-se porque ainda não escrevem em tais línguas, uma vez que elas ainda não têm o alfabeto. Este facto desafia a sociedade a criar mais mecanismos para que a valorização das línguas locais seja firme, eficiente e legalmente aceite.

Por outro lado, a Vice-Reitora para a Área Académica, Sónia Maciel, considera a palestra como sendo uma mais-valia para a comunidade académica, e acredita que esta deu bases, principalmente aos discentes, para perceber os traços e a origem da literatura moçambicana.

Importa referir que Ungulani Ba Ka Khosa é escritor, professor e Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

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