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“Fany Pfumo e Dilon Djindji nunca tiveram conflitos” -Mateus Simbine

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O comunicólogo e investigador cultural Mateus Simbine defendeu, esta terça-feira, no auditório da Rádio Moçambique, que os músicos Fany Pfumo e Dilon Djindji contribuíram para o engrandecimento e fortalecimento da marrabenta, o principal ritmo musical do nosso país.

O investigador e também docente na Universidade Politécnica falava durante a 7ª sessão do segundo ciclo de conferências, designadas por Tertúlias Itinerantes, subordinada ao tema “A marrabenta e a cavaqueira entre Fany Pfumo e Dilon Djindji”, evento no qual foi o orador.

Na sua apresentação, Mateus Simbine referiu que o aparente conflito entre Fany Pfumo e Dilon Djindji, encontrado por muitos no conteúdo das músicas que um dedicava ao outro é, afinal, algo inexistente. Que, na verdade, os dois artistas eram grandes amigos.

“No passado, um iniciava um assunto e o outro, por sua vez, respondia. O que era dito por um, numa determinada música, o outro de seguida respondia gravando também uma faixa”, salientou, explicando que foi esse o cenário que “levou as pessoas a pensarem que houvesse uma certa rivalidade entre os dois artistas quando, na verdade, os dois eram grandes amigos”.

De acordo com Mateus Simbine, a cavaqueira mantida entre Fany Pfumo e Dilon Djindji, através da música, “trata-se apenas de arte, de uma espécie de diálogo na arte”.

Acerca do debate da paternidade da marrabenta, atribuída por uns a Fany Pfumo e, por outros, a Dilon Djindji, o académico Mateus Simbine, que disse ter tido a oportunidade de conviver com os dois artistas, determinou que o mesmo é desnecessário.

“Se formos pelas músicas, notaremos que Fany Pfumo, antes da sua morte, reconheceu Dilon Djindji como rei da marrabenta, quando cantou o tema King Ya Marrabenta. Aliás, na mesma faixa, Fany Pfumo autoproclamou-se rei da guitarra. Ou seja, se um é rei da marrabenta, o outro é rei da guitarra”, referenciou.

 Por fim, o orador assegurou que a cavaqueira estabelecida entre os dois artistas, através da música, na qual um inicia um assunto e o outro, por sua vez, responde, “só engradeceu e fortificou a nossa marrabenta, um ritmo que se transformou em património cultural de Moçambique”.

Falando à margem do evento, um dos coordenadores do ciclo de conferências Tertúlias Itinerantes, Eduardo Lichuge, docente da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), fez uma apreciação positiva da sessão, referindo, por outro lado, que “as tertúlias tratam de temas que têm a ver com a interculturalidade, onde está inserida também a música”.

Numa outra abordagem, Eduardo Lichuge defendeu o ensino da música e das artes nas universidades, considerando tratar-se de “instituições onde a cultura é pensada, discutida e abordada de várias maneiras, ou seja, onde o debate sai do contexto que já é conhecido para abraçar um outro nível, mais universal e amplo”.

“A Escola de Comunicação e Artes, da UEM, é a primeira instituição de ensino superior no País a introduzir o ensino da música e das artes, o que é um grande e importantíssimo passo”, reiterou.

Importa referir que o ciclo de conferências Tertúlias Itinerantes é uma iniciativa académica que traz, a Maputo, reflexões de investigadores de Moçambique, Brasil e Portugal, sobre as dinâmicas da sociedade global. É coordenado pelos investigadores Sara Laísse, da Universidade Politécnica, Eduardo Lichuge, da UEM e Lurdes Macedo da Universidade Lusófona de Portugal. (RM/ Diário do País)

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