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Moçambique tem Comités de Óscares

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O Comité dos Óscares de Moçambique, COM, criado a propósito da candidatura a este prémio do cinema mundial da longa-metragem moçambicana “Comboio de Sal e Açúcar”, no ano passado, terá um mandato de 10 anos.

Durante uma década, a sua operacionalização poderá, até Agosto de cada ano, submeter uma proposta de candidatura de um filme moçambicano à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos de América.
Consta dos requisitos da academia que o filme a ser candidatado deve ter sido estreado numa sala de cinema e que tenha estado em cartaz durante duas semanas consecutivas.
Este Comité dos Óscares é presidido por Djalma Lourenço, director do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC), e constituído pelo conceituado escritor Ungulani Baka Khossa, pela actriz Iva Mugalela, os produtores cinematográficos João Ribeiro, Yara Costa e Karl de Sousa e pelo reitor da Universidade Pedagógica, Jorge Ferrão.
Em contacto com o “Notícias”, Djalma Lourenço explicou que o COM apostará na qualidade das obras a serem enviadas à Hollywood.
"A qualidade na selecção do filme será a nossa principal aposta. É por isso que o Comité dos Óscares de Moçambique é constituído por personalidades de reputado mérito”, disse Lourenço, reconhecendo que a produção cinematográfica nacional ainda é diminuta e irregular, o que concorre para que não haja anualmente longas-metragens.
Por exemplo, a média nacional é de uma longa-metragem em cada dois anos, o que, na opinião do director do INAC, não é nenhum problema, na medida em que a quantidade não constitui elemento de peso na corrida aos Óscares.
“O desafio é garantir que haja capacidade de competir com publicidade e divulgação porque, por exemplo, para o filme “Comboio de Sal e Açúcar”, de Licínio Azevedo, nós não conseguimos nem um centavo para esse efeito”, admitiu o presidente do COM.
Ao longo dos 10 anos de sua vigência, o comité será gerido de forma rotativa, obedecendo a critérios democráticos, pois, segundo ideia de Lourenço, há que permitir dinâmica e abertura, criatividade e inteligência diversa, para que a entidade possa alcançar as metas pretendidas.
Com efeito, Licínio Azevedo contou que a ideia de candidatar “Comboio de Sal e Açúcar” a uma nomeação de Óscar veio do co-produtor da obra, Elias Ribeiro, residente na África do Sul, país que já tem um comité há mais de duas décadas.
Este cineasta é produtor do filme “The Wound”, que consta das nove obras finalistas a nomeação de Óscar deste ano, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, onde estava inserido “Comboio de Sal e Açúcar”.
Entretanto, a demora na criação do comité nacional deveu-se a dúvidas quanto ao sucesso da candidatura da obra nacional. (RM-JN)

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