Top Ad
Millenium Bim
www.bimcom
A sua banca aqui consigo
Matola Gas Company
www.mgc.com
A força da energia limpa moçambiana!

Morreu o fotógrafo sul-africano David Goldblatt, que combateu 'apartheid'

Published in Cultura
terça, 26 junho 2018 09:19
Rate this item
(0 votes)

O fotógrafo sul-africano David Goldblatt, que denunciou o sistema de 'apartheid' na África do Sul, morreu, esta segunda-feira aos 87 anos, confirmou a galeria Goodman, de Joanesburgo, que o representava.

A directora da galeria sul-africana, Liza Essers, disse à agência France Presse que o fotógrafo morreu "pacificamente” de manhã em sua casa, e que o funeral será realizado esta terça-feira, em Joanesburgo
David Goldblatt ficou conhecido pelo seu trabalho fotográfico, que documentou as atrocidades da política de segregação racial, seguida pelo governo da minoria branca da África do Sul, desde 1948, até ao início da década de 1990.
Nascido em 1930, na África do Sul, Goldblatt começou a trabalhar como fotógrafo em 1961, tendo o seu trabalho sido desde o início influenciado pelo 'apartheid'.
Em extensas séries de fotografias (inicialmente publicadas em livros e revistas), Goldblatt deu rosto às estruturas sociais estabelecidas por aquele regime opressivo, criando "uma imagem complexa e contraditória da fracturada sociedade sul-africana", como destacou Serralves, que publicou o catálogo "Intersecções Intersectadas".
Através da fotografia a preto e branco, Goldblatt capturou imagens das minas de ouro em decadência e dos seus operários, dos negros pobres do Soweto, da classe média branca em Boksburg, perto da Cidade do Cabo e da vida dos Afrikaners, parte da população branca, que Goldblatt invejava pelas suas fortes raízes sul-africanas, mas que, ao mesmo tempo, culpava pelo 'apartheid'.
As pessoas e objectos que Goldblatt fotografava nas suas séries a preto e branco são colocados no centro das imagens e moldados pela luz e pela sombra, por vezes de forma dramática.
O fotógrafo posicionava-se a meia distância e concedia domínio de campo aos seus protagonistas, dentro da imagem, mesmo quando as fotos apresentavam condições de vida terríveis.
Apesar de opositor do 'apartheid', David Goldblatt não retratou directamente os brutais acontecimentos dos anos negros do regime separatista sul-africano, optando por capturar imagens reveladoras das estruturas que levaram a esses acontecimentos.
Com o fim do 'apartheid', a realidade que tinha estado na origem do trabalho de Goldblatt, ao longo de 30 anos, deixou de existir.
Não obstante ter aguardado esse momento durante a maior parte da sua vida, o fim do regime foi uma experiência perturbadora para Goldblatt, provocando-lhe um inesperado sentimento de estranheza e afastando-o do mundo da fotografia durante alguns anos.
Passou então a utilizar a fotografia a cores, a fotografar paisagens (o que antes considerava inapropriado) e a imprimir os seus trabalhos em grandes dimensões.
A exposição das obras de David Goldblatt em Serralves foi composta sobretudo por pares de fotografias que confrontam imagens a preto e branco (tiradas durante o 'apartheid') com imagens a cores (do 'pós-apartheid'), permitindo, por vezes, observar o mesmo local com 20 anos de diferença, introduzindo assim um forte elemento temporal na exposição.
A mostra no CCB, que reuniu 51 anos de trabalho do fotógrafo, era sobretudo dominada pelo testemunho político de Goldblatt, dos anos do 'apartheid'.
O fotógrafo era filho de emigrantes judeus lituanos fugidos às perseguições do final do século XIX.
Publicou um primeiro livro em 1973, com a escritora Nadine Gordimer, Nobel da Literatura - "On the Mines" -, em que abordava as condições de trabalho nas minas de ouro.
Seguiu-se então o ensaio sobre a população branca, "Some Afrikaners Photographed", que lhe abriu as portas das galerias europeias e do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, que foi ao mesmo tempo uma reflexão autobbiográfica sobre a condição de branco, marginalizado pelos Afrikaners.
Nos últimos anos, o olhar de Goldblatt estendeu-se pelas dificuldades sociais que marcam a actualidade sul-africana, das "Intersecções", que apresentou em Serralves, a "South Africa: The Stucture of Things Then".
"A morte de David Goldblatt é uma perda significativa para a África do Sul e para o mundo global da arte". (RM NMinuto)

Read 521 times

Escolha do editor

Publicidade

Rádios Online

Antena Nacional

EP Gaza

EP Sofala

RM Desporto

EP Nampula

Inquerito

O que acha do nosso novo website?

Meteorologia

Clear

21°C

Maputo, MZ

Clear

Humidity: 66%

Wind: 22.53 km/h

Programação

Contacto

Direcção de Informação: email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.; Fixo 21 42 99 08, Fax 21 42 98 26 | Rua da Radio N 2, P.O.Box 2000 | Rádio Moçambique, EP

Conecte-se Connosco