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“Os Crimes Montanhosos”: A tutela da amizade entre Cabrita e Mbate

Published in Cultura
segunda, 12 março 2018 10:16
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Tertúlias, taças de vinho, ironias e paródias que marcam a amizade entre os escritores António Cabrita e Mbate Pedro resultaram em “Os Crimes Montanhosos”, livro de poesia de ambos, recentemente lançado no quiosque do Deal, em Maputo.

Trata-se de um livro composto por dois corpos de poemas: os primeiros são de António Cabrita, intitulados “O Colarinho branco do corvo”, e “A gravata branca do corvo albino”, de Mbate Pedro. O mesmo sai sob chancela da Cavalo de Mar.
“A tutela de amizade”, como categorizou Cabrita a colaboração, começou de conversas corriqueiras. “Queríamos fazer algo juntos e fizemos este livro, podemos assumir que é uma amizade que degenerou num livro”, disse o escritor.
Por conseguinte, não houve nenhum conceito a guiar os poemas, apenas a liberdade criativa e a expressão dos questionamentos sobre a condição humana que conduz o fazer artístico.
O título surgiu enquanto acompanhava o noticiário, no qual o repórter, a dado momento descreveu o delito que relatava como “Os Crimes Montanhosos”.
“Achei graça e que, em simultâneo, reflecte a vida, que é uma ilha rodada de crimes à sua volta”, explicou António Cabrita.
A intriga que o título sugere também contribuiu para que ambos concordassem que assim fosse.
Cabrita verteu paródia, crítica social, nos seus poemas, não deixando de lado uma visão acre deste mundo que aconselha a não se levar tudo “muito a sério”.
Disse, por outro lado, que “não temos muitos motivos para escrever títulos felizes neste momento em função do que está a acontecer no mundo, a Síria é um exemplo claro”.
O poeta entende que a obra pode ser encarada como um discurso sustentado por uma perspectiva crítica que visa a transformação do indivíduo, que o ajude a expandir os seus horizontes e que acredite na possibilidade de se superar.
Na sequência da decisão de editar um livro conjunto e acordado o espaço que cada um deveria ter, Cabrita disponibilizou os textos que já possuía para Mbate Pedro.
“Apaguei várias vezes os meus textos”, confessou Mbate Pedro, a explicar que “foi um livro muito difícil, porque ele é muito erudito”.
Foi com a mão trémula, conforme contou, que foi buscando a alma dos poemas, de forma a dialogar com o que já havia lido.
Expressando-se em estilos diferentes, a questão temática não conduziu o processo da escrita, até porque “as artes, em geral, exploram essencialmente os seguintes temas: o amor, a morte, angústia… enfim, a condição humana”, comentou Mbate.
Prosseguiu recordando que o diferencial está na forma como se trata essas temáticas.
Olhando para a literatura moçambicana, observou que a geração pós-Charrua começa a conquistar o seu espaço no cenário nacional, embora a ausência de crítica no país limite a sua legitimação, os prémios vindos de fora gradualmente vão despertando a atenção para a nova vaga de escritores.
“Existia um certo ostracismo em relação à geração pós-Charrua, que começa a desmoronar”, nota, apontando nomes como Lucílio Manjate, Sangare Ukapi, Rogério Manjate, Andes Chivangue como algumas das referências deste novo movimento. (RM /Notícias)

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