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Direitos humanos não podem ser esquecidos no diálogo com Coreia do Norte

Published in Recomendado
sexta, 11 janeiro 2019 12:59
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O relator da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte pediu esta sexta-feira à comunidade internacional que não esqueça a questão dos direitos fundamentais dos norte-coreanos durante o processo de diálogo para alcançar um acordo paz.

 

Numa conferência de imprensa em Seul, Tomás Ojea Quintana fez uma avaliação preliminar da sua quinta missão à Coreia do Sul e lamentou mais uma vez que a Coreia do Norte ainda não tenha aceitado o seu pedido para visitar o país e os seus responsáveis ou mesmo "trocar pontos de visita por carta ou pessoalmente".

O responsável das Nações Unidas, que apresentará um relatório detalhado em Março à Comissão de Direitos Humanos da ONU, referiu a situação enfrentada pelos norte-coreanos diariamente e a sua falta de liberdades básicas, os numerosos campos de concentração para dissidentes, além da tortura sofrida por aqueles que desertam e são repatriados.

O relator da ONU, que é um advogado argentino, insistiu na necessidade de continuar a trabalhar para melhorar esta situação difícil e defendeu que as conversações actualmente em curso com o regime norte-coreano para o desarmamento e para selar um tratado de paz não podem esquecer esta realidade.

"Se a situação dos direitos humanos for ignorada num acordo de paz, esse acordo será muito frágil", disse Ojea.

"É importante perguntar-se: quando as partes implicadas falam de 'paz', esta 'paz' é em benefício de quem? É uma paz que beneficia a todo mundo menos à população norte-coreana?", questionou.

Ojea Quintana deu como exemplo os possíveis projectos de cooperação económica com Pyongyang financiados por outros países, se a paz for finalmente assinada.

"Saberemos, então, como serão as condições de trabalho dos norte-coreanos que trabalharão nesses projectos?", questionou ainda.

No entanto, o relator da ONU insistiu que, no momento, "esta não é uma oportunidade perdida, porque as negociações (com Pyongyang) ainda estão na primeira fase".

Ojea Quintana também questionou as duras sanções impostas, tanto pela Nações Unidas como unilateralmente por vários países e regiões, à Coreia do Norte, como punição pelos seus ensaios de armas, no impacto que podem ter sobre a população.

"A economia norte-coreana como um todo tem sido alvo de sanções. Esta fórmula, do ponto de vista dos direitos humanos, levanta muitas questões", avaliou o responsável da ONU, considerado que "a questão das sanções deve ser abordada o mais cedo possível" no actual diálogo com Pyongyang. (RM-NM)

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