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Michael Jackson: maior que a morte

Michael-jackson-dvd-badSó os pés de Michael Jackson aparecem numa tela gigante numa época em que os telões gigantes, mesmo com as suas resolução sofríveis, eram vistos como glamour dos deuses. O palco fica no escuro e a plateia compacta cria um estrondo ensurdecedor, à espera de algo que parece levar bem mais do que os quatro ou cinco segundos que antecedem a aparição do astro.

No meio de quatro dançarinos vestidos com o figurino do álbum Bad, Michael surge em Wanna Be Startin’ Somethin’ como um messias diante do seu povo. E logo pessoas desmaiadas começam a ser retiradas da pista. 

O último astro da música negra norte-americana a causar reacções de euforia patológica no seu público, Jackson passou pelo Wembley Stadium de Londres, em 16 de julho de 1988, para um dos seus maiores shows da sua primeira digressão solo, a interminável Bad World Tour. Era a consagração de Jackson na estrada depois do vitorioso álbum sucessor de Thriller, a revolução de 1982. Jamais um artista havia viajado com tantas toneladas de equipamentos como dessa vez. 

As cenas de VHS convertidas para o digital não impedem as imperfeições e as limitações de captação da época estão expostas. Mas tudo joga a favor de quem quer ver Jackson como o fenômeno da era do videocassete e da jaqueta de couro vermelha. Uma experiência é, antes de tudo, pular todas as faixas e ir directo para Billie Jean, de número 16. Ali, sozinho, está o homem que flutuava pelo palco, que andava sobre o gelo, que fazia o corpo dançar por dentro e por fora e que conseguiu ser maior do que a sua própria morte.

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